1.0, 2.0, 3.0… Mas, afinal, o que isso tem a ver comigo?

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Lembro como se fosse hoje: quando completei 15 anos – isso há 10 anos – meus pais me perguntaram: “Filha, o que você quer ganhar de aniversário?”. Tive um tempo para responder. Alguns parentes e amigos trataram logo de dar palpite. “Escolhe ter um baile de debutante, Fabiana!”. “Por que você não pede uma viagem para Walt Disney?”. Eu ouvia, fazia que gostava da ideia, mas o fato é que já havia feito a minha escolha: queria um computador com acesso à internet!
Recordo-me do primeiro contato que tive com aquela máquina. Não era a primeira vez que mexia em um PC, mas o fato de ele ser meu fazia toda a diferença. Descobrir as funcionalidades dos programas era instigante, mas nada se comparava ao prazer de se conectar à rede mundial de computadores. E lembro que era algo que exigia dinheiro ou paciência. Só existiam duas opções: ou você pagava (e não era pouco) para ter uma conexão um pouco mais rápida que os demais ou desafiava os limites do sono para se conectar à internet depois da meia-noite de graça. Quando conseguia porque certamente essa era opção da maioria.
Naquela época, assim como se conectar decentemente à internet, ter acesso ao melhor do conteúdo da World Wide Web custava caro. Era o tempo do que os pesquisadores chamam de “Web 1.0”, a primeira fase da internet.
A jornalista e blogueira Cíntia Costa, no artigo “Como funciona a Web 2.0”, publicado no site Como Tudo Funciona, explica que tudo que era pago pelos usuários formava a base da renda das empresas virtuais que gastavam relativamente pouco para manter essas empresas “pontocom”.“O sucesso das empresas de internet e as perspectivas de um futuro brilhante atraíram bilhões de dólares de investidores visionários. Investia-se em ideias, e não em estrutura real. No início dos anos 2000, porém, a bolha pontocom chegou ao seu limite”, detalha a jornalista.
Ela relata ainda que houve uma série de falências das empresas virtuais e muita gente que havia investido nisso perdeu o dinheiro.Não faltaram comentários e análises que previam o fim da World Wide Web. Nada disso se concretizou. A internet se manteve, mas de uma forma diferente. Se antes eu não passava de uma mera expectadora diante de um mundo de informações que circulava pela rede mundial de computadores, passada essa crise, comecei a descobrir meu potencial como usuária. Aos poucos, fui me deparando com sites que “exigiam” minha participação.
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No começo, eram as famosas enquetes do tipo “Você acha que o mundo vai acabar? Sim ou não” e pesquisas de opinião sobre um livro ou CD que acabava de comprar em uma loja virtual. Pouco tempo depois, fui apresentada a ambientes virtuais nos quais eu podia de fato interferir. Wikipedia, Youtube e sites de relacionamento, como Orkut e Facebook. Virei fã! Hoje em dia, a “menina-dos-olhos” é o Twitter que nos conclama a expressar nossas opiniões em até 140 caracteres.
Embora tenha crescido nessa cultura ‘www’, confesso que demorei até entender que eu podia fazer o que quisesse com esses espaços. De expectadora para criadora de conteúdo levou um tempo. E creio que foi assim com a maioria dos internautas. E não foi por acaso já que lógica da internet mudou em um tempo relativamente curto.
Tudo isso pode ser resumido na expressão “Web 2.0”, criada pelo irlandês Tim O’Reilly. A jornalista Cíntia Costa resume bem o que mudou: “Saíram os sites estáticos, entraram mais interação e dinamismo; caíram as barreiras dos padrões e cresceu a personalização. Internautas passaram de usuários passivos a agentes ativos em relação ao conteúdo que circula pela rede. Aliás, a troca de dados é a maior marca dessa nova geração”.
Mas as mudanças não param por aí. Já tem gente falando em “Web 3.0”, como o físico inglês Tim Berners-Lee que, em 1989, já imaginava como iria funcionar a atual rede mundial de computadores. Nessa nova etapa, a internet adivinharia nossos desejos. Mas isso é assunto para um outro post…
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